Por: ALEX SANTOS
A banda mais bonita da cidade é o Nada Surf. E da cidade de Nova Iorque. Essa foi a primeira impressão que tive enquanto assistia maravilhado o show do grupo.
Composta pelo Matthew Caws na guitarra e voz, Daniel Lorca no baixo e Ira Elliot na bateria, a apresentação no Cine Jóia contou ainda com a participação de Doug Gillard (integrante do Guided by Voices) e o multiinstrumentista Martin Wenk.
O furdunço já começava na entrada. A fila pra entrar na casa era extensa, quase chegando a Avenida Liberdade. Cambistas à procura de ingressos pra negociar, blogueiros agilizando as credenciais e, no geral, a ansiedade que tomava conta de todos que estavam do lado de fora. Tudo isso aos berros do segurança da casa, que dizia: “carteira escolar na mão, pra quem comprou meia-entrada, pessoal! Quem não tiver carteirinha, vai ter que pagar a diferença.” Tenso!
Ao entrar, depois da revista, havia uma aglomeração no pequeno hall entre o acesso ao piso superior e a pista que – apenas no final – percebi que em grande parte era por causa da banquinha que estava comercializando lps, camisetas e pôsteres da banda. E detalhe: podia pagar com cartão de crédito (me arrependi de não ter comprado um cd).
Quando entrei – por volta das 22:45 – a pista já estava quase lotada. O clima de ansiedade ainda era o mesmo de lá de fora. Nas pick-ups, me lembro vagamente do que estava tocando: a primeira era Milez is Dead do Afghan Wighs e a outra era uma dos Smashing Pumpkins, que não lembro o nome. Na verdade, nem me atentei a isso.
Indo ao que interessa
A banda subiu ao palco pontualmente às 23:00. Sem muita enrolação, Mathew Caws saudou o público da platéia e se apresentaram, abrindo o show com Clear Eye Clouded Mind, do mais recente disco The Stars are Indifferent to Astronomy. Em seguida, mandaram Waiting for Something do mesmo álbum, respeitando inclusive a ordem das faixas do citado disco.
Entre as passagens de algumas músicas o vocalista trocava de guitarra que no decorrer constatei que era por causa da afinação. Isso garantiu mais diversidade ao repertório que mesclava entre músicas mais dançantes e festivas e outras mais emotivas. A técnica entrosou bem a galera.
Todos familiarizados com a casa, com o concerto e – no caso a banda – com a platéia, Caws formalizou a apresentação dos integrantes e a função de cada um deles. Depois elogiou o público e afirmou gostar de tocar em São Paulo. Era a segunda vez que eles se apresentavam aqui, desde 2004.
Nesses 8 anos, deu pra perceber que eles treinaram bem o idioma português. Embora não tenham falado muito, assim o fizeram com certa fluência. Principalmente Daniel Lorca que por sinal, era o mais a vontade de todos. Fumava e bebia Heineken enquanto tocava e, tudo isso, sem perder a concentração.
Eles conseguiram conciliar a apresentação com os vários pedidos dos fãs. Até dedicatória especial, Caws fez a uma moça – atitude que despertou a curiosidade da platéia em saber se a privilegiada era uma das presentes.Continuando, eles tocaram What is Your Secret, Paper Boats, Hi-Speed Soul, Treehouse entre outras.Também incluíram de improviso Rosemarie da lendária banda Superchunk. No geral, priorizaram mais as faixas de Star… e Let Go, mas havia canções aleatórias de todos os sete discos da banda.
Enfim, um show marcante para os amantes do indie rock que deixou um gostinho de “quero mais” para os que lá estavam. Tomara que voltem. E logo!
Set List:
“Clear Eye Clouded Mind”
“Waiting for Something”
“Happy Kid”
What is Your Secret?”
“Teenage Dreams”
“Killian’s Red”
“Weightless”
“Hyperspace”
“Whose Authority”
“Jules and Jim”
“Amateur”
“80 Windows”
“When I Was Young”
“The Way You Wear Your Head”
“Paper Boats”
“Hi-Speed Soul”
“No Snow on the Mountain”
“Treehouse”
“See These Bones”
Bis:
“Inside of Love”
“Popular”
“Always Love”
“Blankest Year”
































